Alimentação vegana: um mercado que vale a pena investir

O crescimento do movimento é claro e é por isso uma grande oportunidade para acreditar e apostar no empreendedorismo vegano

28 · 06 · 2019

O veganismo é atualmente uma tendência global e persistente da atualidade. Passou a ser considerado por muitos como um tema mainstream em Portugal, especialmente desde 2010. E se há pouco tempo o termo causava estranheza, atualmente já é comum e há cada vez mais pessoas a seguir este tipo de alimentação e estilo de vida.

O impacto que a alimentação tem na nossa saúde, no ambiente e nas outras formas de vida fez com que esta tendência ganhasse um novo folgo e ao longo dos tempos tivesse cada vez mais adeptos por todo o mundo. E Portugal não é exceção.

De acordo com dados recolhidos e analisados pela Associação Vegetariana Portuguesa, o mercado de alimentação vegetariana e vegana em Portugal aumentou 514% nos últimos dez anos, entre 2008 e 2018, o que representa uma clara adaptação à explosão da procura que se tem verificado por todo o país. Em 2008 eram apenas 28 as lojas e/ou restaurantes com esta vertente, e em 2018 já existiam pelo menos 172 estabelecimentos.

Em Portugal, no ano 2017, cerca de 120 mil pessoas já seguiam uma alimentação vegetariana, das quais pelo menos 60 mil serão veganas. E cada vez mais, as grandes zonas turísticas de Portugal, seja o Porto, Lisboa ou Algarve, são procuradas por turistas não só pelas suas atrações e gastronomia tradicional, mas pelo número crescente de restaurantes vegetarianos e/ou veganos que se encontram nessas cidades e que vão ao encontro do seu estilo de vida.

Este novo estudo investigou também duas tendências de mercado, a do vegetarianismo e a do veganismo, individualmente. O número de estabelecimentos vegetarianos, sejam restaurantes ou lojas, aumentou 323% no período compreendido entre 2008 e 2018, ao passo que o número de estabelecimentos veganos aumentou ainda mais consideravelmente, em cerca de 3000%.

Porquê investir no mercado vegano?

O mercado global não tem sido indiferente a estas transformações, mostrando evidentes sinais de adaptação à mudança nas perceções e hábitos dos consumidores.

Segundo a Allied Market Research, prevê-se que este mercado registe um crescimento anual de 7,7% nos próximos anos, atingindo uma receita de 7,5 milhões de dólares em 2015.

Startups americanas estão a apostar no caminho do futuro e estão a investir fortemente na produção de alternativas à carne, com a mesma textura e sabores, mas inteiramente de base vegetal. E já atraíram o investimento de figuras como Bill Gates, Viz Stone e Evan Williams (fundadores do Twitter), e da multinacional Tyson, uma das maiores empresas do mundo.

Também empresas tradicionalmente ligadas ao consumo de carne ou a produtos de origem animal parecem realmente não querer ficar pelo caminho e estão a adaptar-se pró-ativamente à mudança. É o caso da Danone que adquiriu recentemente a empresa norte-americana WhiteWave, por mais de 11 mil milhões, que detinha as marcas de bebidas vegetais Alpro e Provamel, bem conhecidas dos portugueses, e com um lucro de centenas de milhões euros.

A Unilever também expandiu recentemente o seu catálogo de oferta de produtos vegan, ao adquirir a empresa holandesa “O Talho Vegetariano”, que está presente em 17 países, Portugal inclusive.
Até o franchising McDonald's não ficou indiferente tendo começado a introduzir opções vegetarianas, e até mesmo uma opção vegana em países como a Suécia e Finlândia, onde são um sucesso.

Está mais que visto que este setor da economia cresceu e que é vantajoso o investimento neste ramo. Se está interessado, continue a ler e conheça um pouco melhor este mercado.

Quais as características deste público?

Os veganos são pessoas que excluem da sua alimentação tudo o que venha de origem animal, como carne de animais, lacticínios, ovos, mel, etc. Além disso, não usam nenhum produto que contenha algum elemento de origem animal ou seja testado em animais. O veganismo é na verdade um estilo de vida, no qual o indivíduo tem a necessidade de conhecer os processos de fabricação de tudo o que come e utiliza.

Ao tornar-se vegana, a pessoa tem mais conhecimento sobre os nutrientes presentes nos alimentos e os seus benefícios para o organismo. As vitaminas essenciais são encontradas numa quantidade maior nas carnes e, por esse motivo, é necessário estar informado sobre os alimentos no geral para poder substitui-los e ter uma alimentação equilibrada.

Qual é a diferença entre vegetarianismo e veganismo?

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Os vegetarianos não comem carne mas consomem produtos de origem animal. Já os veganos não comem carne, mas também não consomem ou utilizam produtos derivados de animais, incluindo bebidas, como vinhos e cervejas.

Alguns propósitos são parecidos, como por exemplo ser contra a caça de animais, apesar da ideologia de ambos ser distinta. Existem estudos que comprovam que o veganismo ajuda a ter uma qualidade de vida melhor, a ter uma pele mais saudável, energia e um aspeto físico rejuvenescido.

Embora seja crescente o número de consumidores com esses hábitos alimentares, uma das grandes dificuldades dos veganos ainda hoje é encontrar restaurantes para atendê-los.

Como investir de maneira eficiente no mercado vegano?

Como vimos anteriormente, o mercado vegano está em crescimento devido aos novos hábitos alimentares. Por causa da crescente procura, alguns estabelecimentos estão a atualizar-se e a adicionar ao seu menu pratos de comidas veganas. O restaurante pode também apenas refazer alguns pratos do dia, ao substituir a carne por soja, por exemplo.

Apesar de cada vez mais existirem restaurantes exclusivos, voltados para o veganismo, ainda não são suficientes. A oferta por comidas veganas ainda é menor do que a procura em Portugal.

É muito importante que as pessoas que decidiram por este estilo de vida se sintam mais confortáveis ao escolherem o que querem comer. Eventualmente, ter uma vida social ativa. Quando não se come carne pode ser difícil, e algumas vezes é um grande desafio conseguir manter o “espírito vegano” visto que não é qualquer estabelecimento que oferece esses produtos específicos.

Um empreendedor deste ramo precisa manter a transparência com os seus clientes e oferecer produtos mais naturais, saborosos e nutritivos.

Uma dúvida muito frequente dos empresários é o preço que deve ser cobrado por esses alimentos. É consideravelmente mais barato produzir um hambúrguer numa cadeia de fast food do que um hambúrguer vegano devido aos ingredientes utilizados. Assim, o produto final acaba por ter um valor mais elevado.

Este é o momento oportuno para investir no mercado das comidas veganas.

O ponto de partida para quem deseja iniciar uma carreira empreendedora de sucesso ou incrementar a renda é sempre inovar. Por esse motivo, pense no que pode oferecer de melhor para atender às necessidades dos consumidores e também às lacunas do mercado.

Se já tem uma empresa com produtos veganos, invista na sua melhoria. A qualidade dos produtos é a questão mais importante no processo de fidelização de clientes.

Para que o empreendedor sinta mais confiança nos produtos que oferece e também conquiste a confiança dos consumidores, existe um selo de qualidade que certifica a autenticidade dos produtos veganos. Esse selo garante que os artigos são livres de ingredientes de origem animal e que são cruelty free (não são testados em animais).

Apesar de ser uma medida simples, investir no mercado vegano pode garantir mais conforto aos clientes. Procure o auxílio de profissionais da área, que lhe ofereçam produtos diferentes, novos menus e métodos para captar mais clientes.

Em síntese, o mercado vegano tornou-se uma excelente opção de negócio, e garantir alternativas mais naturais e saudáveis no menu é algo diferenciador para qualquer empreendimento. Este novo ramo tem gerado diversas oportunidades para empresários e também para consumidores, que viram neste estilo de vida uma oportunidade para criar o seu próprio mercado.

 

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