As empresas portuguesas são solidárias?

Se há pouco tempo o “social” e o “corporativo” pareciam distantes, hoje é difícil vê-los separadamente

29 · 03 · 2019

A resolução dos grandes desafios da atualidade, como o envelhecimento da população ou as alterações climáticas, parece requerer a colaboração de todos os setores da sociedade. As empresas são cada vez mais chamadas a intervir e a ter um papel ativo na procura de solução para estes problemas.

Em Portugal, a Responsabilidade Social é parte integrante da vida das grandes empresas. Mais de 80 das 100 maiores empresas portuguesas reportam iniciativas nesta área (um número que tem vindo a crescer ao longo dos anos). Além disso, segundo um estudo elaborado pela The Economist, Portugal é um caso de sucesso a nível mundial na área da inovação social, sendo considerado um dos países no mundo - tal como os Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Dinamarca, entre outros - que conseguiu nota elevada em termos de política nacional de estímulo à inovação social. 

Podemos observar alguns exemplos que provam o bom desempenho social e ambiental das empresas portuguesas: 

Delta Cafés: um exemplo de voluntariado

Desde a sua fundação, que o modelo de gestão da Delta Cafés assentou em diversas ações inscritas numa linha solidária: apoio e patrocínios a várias instituições, e voluntário empresarial.

O programa Delta Saúde desenvolve ações de prevenção de doenças cardiovasculares junto do universo dos trabalhadores da empresa e igualmente de forma mais alargada junto das populações de Campo Maior, localidade onde está implementada. 

Desenvolve igualmente uma parceria com o Estabelecimento Prisional de Lisboa, na inserção dos reclusos da instituição. Os mesmos desenvolvem um trabalho de reparações de máquinas de café, moinhos e máquinas de loiça para a restauração, um trabalho remunerado pela Delta Cafés. 

EDP: Sustentabilidade e inovação 

No ano passado, a EDP anunciou que vai investir 12 milhões de euros nos próximos três anos em empresas de produção descentralizada de energia, nomeadamente na África Oriental, no âmbito da aposta na promoção do acesso universal à energia sustentável. Este investimento do grupo será realizado em empresas, já existentes e promissoras, com soluções sustentáveis para acesso à energia e representa uma oportunidade para o grupo se tornar num operador com relevância em mercados emergentes na área do acesso à energia.

Para além deste investimento de 12 milhões de euros — a concretizar, prioritariamente, em países da África Oriental – junta-se a aplicação de um milhão de euros em atividades de responsabilidade social que irá impactar 200 mil pessoas, essencialmente em países em desenvolvimento. 

Nas últimas décadas, a responsabilidade social assumiu-se como crucial na estratégia das grandes empresas, guiada pela preocupação dos consumidores, colaboradores, Estado, organizações não governamentais, instituições internacionais e até investidores sustentáveis, com os desafios de sustentabilidade social e ambiental com que se depara o mundo.

Veja dois exemplos de responsabilidade social nas grandes empresas internacionais: 

Apple consegue título de empresa mais admirada do mundo pela 12ª vez consecutiva

A Apple ficou em primeiro lugar no pódio da lista publicada pela Revista Forbes e foi pela 12ª consecutiva nomeada a empresa mais admirada no mundo. A marca arrecadou o "ouro" em cada uma das categorias avaliadas, nomeadamente inovação, qualidade de gestão, responsabilidade social, qualidade de produtos e serviços ou competitividade global, entre outros aspetos.

A marca em 2017 recebeu também da Greenpeace o certificado de marca da tecnologia mais amiga do meio ambiente. Essa gratificação está relacionada com a escolha da marca por fontes de energia renovável e pelo facto de esta exigir que os seus fornecedores tenham o mesmo tipo de compromisso com o ambiente. A empresa, juntamente com a Google, utiliza a sua influência em escala mundial para pressionar governos e o setor das tecnologias no sentido de ampliar a adoção de métodos mais sustentáveis nas suas operações.  

Amazon, um exemplo de responsabilidade social

Parte da nova sede da Amazon, em Seattle, que será inaugurada em 2020, vai ser a residência de 65 famílias sem abrigo, até que estas encontrem um alojamento permanente. O espaço, com cerca de 4.400 metros quadrados, vai ser cedido à Mary’s Place, uma organização local à qual a Amazon já havia disponibilizado um edifício e assegurado as despesas inerentes.

A maior empresa de e-commerce tem vindo a apoiar esta organização de várias formas: os colaboradores da empresa, por exemplo, são visitantes frequentes e voluntários da Mary’s Place (levam refeições, organizam projetos de arte e trabalhos manuais comunitários, festas, etc.). Através da iniciativa Amazon One Day One Million Dollar Match, Jeff Bezos contribuiu com 1 milhão de dólares para a Mary’s Place, o que permitiu à organização captar mais de 2 milhões de dólares.

A Amazon em 2017 também doou 10 milhões de dólares à Universidade de Washington para a construção de um novo edifício dedicado às ciências da computação. Nesse ano cedeu um espaço, com mais de mais de 2 mil metros quadrados, e equipamentos para o lançamento de um programa, cujo objetivo é aumentar o nível de formação dos empregados na área da indústria e da restauração.

Em 2018, a Amazon anunciou também que irá destinar mais de 10 milhões de euros para o Closed Loop Fund (link para o site), iniciativa que pretende financiar projetos ligados à reciclagem. O objetivo da empresa é melhorar o acesso dos americanos à infraestrutura de reciclagem. Em comunicado, a gigante da tecnologia disse que com a iniciativa pretende tirar um milhão de toneladas de lixo de aterros e assim eliminar dois milhões de toneladas de CO2 da atmosfera até 2028.

Decididamente que os caminhos que o futuro trilhará são no sentido da adoção de comportamentos socialmente responsáveis, sendo que, cabe às empresas, no contexto dessas tendências, assumirem-se como motores e garantir uma economia de partilha e incentivo às reduções das pegadas ambientais.