Employer branding: conheça o segredo de uma marca empregadora

Quando uma marca deseja ser forte, ela deve entender que precisa ser atrativa não só para os consumidores

25 · 02 · 2019

O employer branding surgiu como a solução para as empresas que acreditam e investem em novos talentos para fortalecer as suas equipas. Com a chegada da geração millennial ao mercado, o perfil dos profissionais mudou. Se antes o emprego era visto apenas como uma fonte de rendimento, hoje, o foco está na qualidade de vida e na possibilidade de manter um crescimento contínuo durante a carreira profissional.

Employer branding trata-se, portanto, da reputação de uma empresa como empregadora. É uma série de estratégias tomadas por uma marca empregadora, ou seja, a forma como uma empresa se mostra aos novos profissionais, tanto pela marca como pelo seu ambiente de trabalho. Também, é a capacidade que uma empresa tem de reter os talentos que já possui.

Contexto histórico

O conceito de employer branding foi definido pela primeira vez no início da década de 90, pelo presidente do People in Business, Simon Barrow, e pelo membro sénior da London Business School, Tim Ambler. No início, a ideia era apenas criar uma maneira de mostrar externamente o pacote económico oferecido pela empresa. Esse pacote incluía rendas, participação nos lucros e benefícios dados aos colaboradores.

Hoje, o conceito vai muito além. Estratégias de employer branding estão relacionadas desde o ambiente de trabalho, valorização da renda, boas condições de trabalho e outras características voltadas especificamente ao colaborador, ou seja, da “porta para dentro” da empresa, até definições “da porta para fora”. No segundo grupo, as ações de employer branding são direcionadas a temas como a proposta de valor da marca e como esses valores são mostrados ao público (marketing da empresa, por exemplo).

Os motivos para investir na atração de profissionais

Na realidade atual, podemos dizer que o mercado é tão competitivo entre quem procura um emprego quanto para quem está à procura de profissionais. Afinal, encontrar alguém que tenha talento e se enquadre nas necessidades da empresa pode ser um processo demorado e dispendioso.  

Por isso, quando uma marca deseja ser forte, ela deve entender que precisa ser atrativa não só para os consumidores, mas também despertar o interesse dos profissionais talentosos para compor a equipa. Para isso, é necessário trabalhar a sua imagem de forma a destacar-se no mercado. É neste momento que a empresa precisa pensar em employer branding.

O processo de construção de uma marca empregadora envolve desde evidenciar os atributos e os valores da instituição para talentos que estão a procurar emprego, quanto para quem já está a trabalhar nela. De acordo com o gestor de soluções em formação da GS&IMR, André Almeida, numa realidade na qual as pessoas têm sido fonte primordial no reforço de valores de uma empresa, transmitir uma imagem positiva é fundamental. “O que é valorizado como recurso geralmente tem muito a ver com a capacidade de produção e a sua escassez, e hoje em dia, as empresas estão ou deveriam estar prerocupadas com o seu capital humano, que é o atual elemento em escassez. Precisamos de mais inteligência humana e mais criatividade para desenvolver tecnologias digitais e melhores produtos e serviços”, salienta o especialista.

Três benefícios de um employer branding elevado

#1 Redução de custos – A principal contribuição de um employer branding elevado é a redução de custos nos processos de seleção e contratação. Ao ter uma boa reputação, a empresa acaba por criar interesse nas pessoas qualificadas e as candidaturas acabam por ser mais espontâneas, o que reduz os custos com anúncios de vagas e processos de seleção.

#2 Melhores negociações – Ter uma imagem positiva facilita o estabelecimento de boas negociações, tendo em vista que muitos fornecedores podem achar vantajoso associarem-se a empresas que têm boa reputação.

#3 Produtividade e retenção – O impacto com estratégias de employer branding também acaba por ser positivo na produtividade dos colaboradores. Afinal, profissionais satisfeitos com as suas carreiras e orgulhosos do local onde trabalham acabam por dar mais valor à empresa e redobrar esforços para corresponder às expectativas do empregador.

Comece já na sua empresa!

Para quem não quer perder tempo e pretende começar logo a implementar employer branding na empresa, o gestor de soluções em formação, da GS&IMR, André Almeida, explica que é necessário, primeiramente, definir objetivos. “É preciso esclarecer se será um investimento momentâneo para atrair bons candidatos ou se o desejo é reter os talentos que já estão na empresa. Ou, ainda, se a ideia é que seja um plano para fazer parte da cultura organizacional da organização”, esclarece.

Assim que estiverem definidos os objetivos, a empresa deve definir o quanto está disposta a investir financeiramente e qual equipa irá trabalhar nisso.

Segundo André Almeida, depois dessas duas fases, um bom começo é pesquisar o que as pessoas que já estão dentro da empresa definem como qualidades do seu local de trabalho e quais os motivos que a fizeram optar ficar na instituição. “Esses motivos é que servem de proposta de valor inicial que serão colocados depois, de forma externa, para atrair novos candidatos”, explica.

Como vimos, não se pode duvidar da importância do employer branding para transformar uma empresa na “empresa dos sonhos” para muitos profissionais. No entanto, um projeto de employer branding bem-sucedido exige tempo e muito envolvimento. Trata-se de um projeto de longo prazo.