Empresas inteligentes pensam na qualidade de vida dos seus colaboradores

Estudos mostram como o descanso real do trabalho pode trazer resultados de alto nível para as empresas

13 · 08 · 2019

É comum pensar que quanto mais tempo os funcionários ficam no escritório, mais eficazes serão no trabalho. Entretanto, pesquisas pelo mundo têm provado o contrário e qualquer empresa que deseje ter sucesso como uma employer branding precisa saber disso.

Um estudo nomeado como “Psychological Detachment From Work During Leisure Time: The Benefits of Mentally Disengaging From Work” chegou à conclusão de que quando os colaboradores se desprendem do trabalho durante o fim de semana, têm um comportamento mais produtivo na semana seguinte.

Este estudo reuniu pesquisas de diversas outras fontes. Uma delas fez experiências semanais com colaboradores durante um mês. No final, os especialistas concluíram que aqueles que conseguiam “desligar” do trabalho durante o fim de semana, sentiam-se mais descansados na segunda-feira e consequentemente tinham um comportamento mais produtivo durante todo o resto da semana.

Outra pesquisa, do projeto “Time Off”, fez uma relação entre o tempo de férias e o reconhecimento obtido por atividades no trabalho. O estudo concluiu que os colaboradores que costumam sair no mínimo 11 dias de férias por ano são mais propensos a receber um aumento no ordenado ou prémios do que os funcionários que optam por sair no máximo 10 dias.

Menos stress, mais criatividade e produtividade

Ao mesmo tempo em que muitos estudos mostram a necessidade do descanso para manter a qualidade no trabalho, numa pesquisa da Harris Interactive pela American Psychological Association, 44?s pessoas relatam que veem as mensagens do trabalho pelo menos uma vez por dia durante o período de férias.

Isso significa que boa parte dos trabalhadores que tiram férias não conseguem realmente desconectar-se do trabalho durante esse tempo e isso pode trazer problemas para o seu rendimento. Abaixo listamos duas vantagens proporcionadas por um tempo de descanso realmente efetivo nas férias.

1# Produtividade

Uma das principais razões que faz os profissionais não saírem muitos dias de férias ou não ficarem totalmente desconectados do trabalho naquele período é a preocupação de parecerem preguiçosos e serem punidos de alguma maneira (perderem boas oportunidades dentro da empresa, por exemplo).

Entretanto, a ciência tem provado que a produtividade não está diretamente relacionada com o tempo que a pessoa passa no escritório, pelo contrário, sair da rotina e ficar um tempo fora diminui o stress e melhora significativamente os resultados dos profissionais.

Um estudo na Alemanha analisou uma equipa de gestores. Os participantes foram divididos em dois grupos: o grupo da intervenção, que ficou hospedado num hotel durante quatro dias e o grupo de controlo, que saiu de férias pelo mesmo tempo mas passou os dias em casa.

No final, os dois grupos apresentaram efeitos profundos, positivos e imediatos na diminuição do stress, mas o curioso foi que aqueles que saíram do ambiente de rotina sentiram uma redução ainda mais profunda nos níveis de tensão.

Esse resultado significa que os benefícios das férias não aparecem só quando a pessoa está a descansar, mas também quando sai da rotina. É por isso que até mesmo o planeamento das férias pode ser positivo. Essa teoria foi comprovada por outro estudo publicado no Applied Research in Quality of Life, que chamou este relaxamento de “felicidade pré-viagem”.

2# Criatividade

Outra vantagem que tem relação ao primeiro item é a melhoria na criatividade dos profissionais que saem de férias. Esse aspeto foi testado por investigadores holandeses. Eles aplicaram testes de criatividade (um teste utilizado frequentemente, conhecido como Teste de Usos Alternativos) nos funcionários de uma empresa, duas semanas antes de os profissionais saírem de férias e uma semana depois de regressarem.

Os participantes foram desafiados a pensar na maior quantidade possível de utilidades para um objeto. A experiência na empresa mostrou um grau muito maior na flexibilidade cognitiva dos profissionais no pós-férias. Ou seja, depois do período de descanso os participantes conseguiram pensar numa quantidade maior de usos para o objeto.

O efeito do stress mais baixo como consequência de desligar-se do trabalho e sair de férias tem a ver com o bom humor que também está comprovadamente ligado a uma maior capacidade para solucionar problemas com criatividade, como mostrou um estudo da University of Western Ontario, publicado no Psychological Science.

É preciso perceber as novas necessidades

employerbrandingnovasnecessidades

Employer branding não é só mais uma tendência. Trata-se de uma nova forma de fazer a gestão das pessoas. É uma nova necessidade do mercado e quem não estiver consciente disso estará sempre um passo atrás da concorrência.

Isso dá-se, em parte, pelo ingresso massivo de uma nova geração ao mercado de trabalho. As empresas precisaram então desenvolver novas capacidades para “se venderem” como uma marca empregadora e assim conseguirem atrair e reter talentos. Atualmente, os trabalhadores procuram muito mais ter um propósito e sentirem-se parte de algo maior, que traga bem-estar, do que prémios ou promoções de status, como era comum há alguns anos.

É por isso que hoje em dia a palavra de ordem em muitas empresas é dar aos colaboradores tudo o que precisam para se tornarem mais produtivos e assim ajudarem a empresa a ser mais competitiva no mercado. As instituições de sucesso olham o assunto como uma questão diretamente relacionada com os seus valores.

Essas instituições mais admiradas são mais bem-sucedidas por fazerem o que muitas reconhecem que deveriam fazer. Elas têm um propósito claro e verdadeiro, são transparentes e cumprem as suas promessas. Essas empresas focaram a atenção nos pontos estratégicos mais críticos: passaram a ver através da perspetiva das pessoas que trabalham para elas. Afinal, ninguém sai de casa para fazer um trabalho mau e se as pessoas podem ser mais produtivas com algumas mudanças, qual seria o motivo de não fazê-las?

Diante dos factos expostos podemos concluir que quando um funcionário sacrifica o seu tempo de descanso ou deixa de lado a sua saúde (física e mental) devido às pressões no trabalho, ele está a privar-se de alguns benefícios cruciais para a sua produtividade. E este resultado é, afinal, o oposto do que qualquer empresa precisa.