A importância do consumo dos produtos locais

Comprar produtos locais é importante em termos económicos, sociais e ambientais

17 · 09 · 2019

A utilização de novas tecnologias tem proporcionado novos níveis de conforto, com crescente procura de produtos e serviços e, consequentemente, de energia e recursos.
A forma como produzimos e consumimos contribui para muitos dos problemas ambientais existentes, sentidos em todo o mundo, tais como as alterações climáticas, a poluição, a exaustão dos recursos naturais e a perda de biodiversidade.

A qualidade de vida depende da nossa capacidade de viver dentro dos limites dos recursos disponíveis e, por isso, há uma crescente preocupação da União Europeia em incentivar o consumo e a produção sustentáveis.

Consumir e produzir de forma sustentável implica consumir melhor e menos, tendo em consideração os impactos ambientais, sociais e económicos. Significa utilizar os recursos naturais e a energia de forma mais eficiente e reduzir as emissões poluentes e outros tipos de impacto ambiental. Ao consumir e produzir de forma sustentável pretende-se satisfazer as necessidades de produtos e serviços, desfrutando de uma melhor qualidade de vida, assegurando que as futuras gerações tenham recursos suficientes para uma qualidade de vida digna.

O consumo de produtos nacionais potencia assim a economia nacional e a sustentabilidade do país, contribuindo para uma maior empregabilidade e valor acrescentado em Portugal. Reduz também o impacto ambiental, evitando os efeitos que o transporte de produtos alimentares oriundos de outros países e continentes comportam.

Também potencia um menor tempo de transporte e distribuição, disponibilizando produtos frescos com maior riqueza nutricional. Após a colheita, pesca ou abate, os alimentos começam a perder nutrientes, sendo que quanto menor for o intervalo de tempo entre a origem e o consumo, maior será a qualidade nutricional do alimento.

Para além disto, este desafio responde a um dos pontos salientados pela Dieta Mediterrânica Património Cultural e Imaterial da Humanidade de manutenção dos laços com a própria cultura através do consumo de produtos nacionais/locais e tradicionais do país.

O que é a produção local?

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Produzir local significa fornecer ao consumidor alimentos frescos, saborosos e autênticos respeitando, ao mesmo tempo, os ciclos naturais de crescimento.

Ao promover o conceito de produzir local pretende-se assumir um compromisso com a qualidade de vida das gerações atuais e futuras, conseguir comunidades mais sustentáveis, socialmente justas e inclusivas e promover uma economia local forte e viável.

Por outro lado, o desaparecimento da agricultura de proximidade põe em causa o fornecimento alimentar das populações num cenário de instabilidade da distribuição alimentar e inviabiliza o autossustento de muitas famílias.

Muitos pequenos produtores, ao longo dos últimos anos, foram ultrapassados pela produção em regime intensivo das grandes empresas industriais. Inevitavelmente, à medida que as multinacionais aumentam o controlo sobre o sistema alimentar, estes produtores diminuem os seus rendimentos. Torna-se assim necessário caminhar para uma economia de base local e de maior proximidade, de forma a não só reduzir a pegada ecológica, como a conseguir uma gestão mais sustentável dos recursos energéticos e consequentemente proteger a economia local.

Consumir os produtos oriundos da produção local significa portanto, reforçar o sistema produtivo, a base económica, a soberania alimentar, ou seja, não apenas disponibilidade de alimento para todos mas também a capacidade do consumidor escolher o que prefere consumir e a criação de empregos. Significa igualmente, reduzir dependências externas, aproveitar os recursos agrícolas existentes e criar riqueza ao mesmo tempo que se promovem hábitos e comportamentos saudáveis, reduzindo de forma significativa a pegada ecológica de cada um de nós.

Nas últimas décadas, acompanhando a globalização económica, o sistema alimentar tem passado por mudanças profundas, com a progressiva centralização da produção e distribuição alimentar num número demasiado pequeno de fornecedores. Muitos dos produtos que compramos e utilizamos todos os dias têm um impacto significativo no ambiente. Dos materiais à energia utilizados para os produzir passando pelos resíduos que criam quando se tornam obsoletos. Para que a sociedade moderna seja sustentável a longo prazo, os produtos menos prejudiciais para o ambiente devem passar a ser a norma aceite.

Razões para consumir produtos locais:

• São amigos do ambiente devido ao seu processo de produção artesanal e dado que geralmente têm origem em regiões próximas;

• Evitam custos ambientais pois dispensam transporte de longo curso.

• A sua produção origina mais empregos, pois sendo pouco ou nada industrializados, empregam mais mão de obra do que os produtos grandemente industrializados.

• Evita o despovoamento rural, pois a fixação das populações depende em muito, da obtenção de emprego.

• Consumir produtos locais ajuda a preservar a cultura e a identidade, não só pelo conhecimento ancestral do saber-fazer, passado de geração em geração, como pela preservação da cultura gastronómica das regiões.

Portugueses não consomem mais produtos locais devido ao preço

O maior obstáculo para exercer o consumo sustentável é sem dúvida o preço. Este tipo de produto é mais caro, e os mercados ainda sentem constrangimentos para fazer a mudança total.

De acordo com os nossos dados, a principal razão pela qual os portugueses não compram produtos de origem local prende-se exatamente com esse fator, apesar de estes produtos transmitirem confiança.

A nível europeu, mais de 90% dos inquiridos consideram que o fabrico nos respetivos países constitui uma garantia e partilham da mesma opinião relativamente a produtos regionais. Talvez por isso, dois em cada três europeus estão dispostos a pagar mais para comprar produtos locais: quase 60% pagariam entre 5 e 10% mais e 5% fariam um esforço financeiro suplementar superior a 10% para adquirir produtos de origem local.

Mais de metade dos consumidores também estariam dispostos a fazer o mesmo esforço para ter produtos locais no seu carrinho de compras.

Para concluir…

O mundo rural e as relações diretas entre produtores e consumidores têm vindo a desaparecer a um ritmo acelerado. Nas periferias citadinas, os territórios rurais tendem a desaparecer e nos territórios mais isolados a desertificação acaba por se fazer sentir de forma acentuada.
De forma a garantir um futuro promissor para os territórios e seus habitantes, é imperativo garantir novas formas de habitabilidade, de sociabilidade, de produção e consumo mais equilibrados, mais solidários e mais ecológicos.
Os territórios rurais deparam-se com inúmeros desafios, tais como, a adaptação a novas tecnologias e a novos sistemas de produção, a descoberta de atividades sustentáveis, o combate à desertificação, entre outros.
A participação das populações e dos atores locais torna-se indispensável para a dinamização dos territórios rurais, contribuindo de forma ativa, para a sua revitalização e criação de novos estilos de vida.
Como já referido, os portugueses estão a alterar hábitos alimentares, sendo que existem nichos importantes de consumidores que consomem produtos agrícolas locais motivados por razões que nada têm a ver com aspetos económicos ou de mercado. Ou seja, para esses consumidores, não é o preço nem a sua disponibilidade de rendimento que determina a sua motivação de compra relativamente aos produtos locais. A qualidade é uma das grandes razões para essa opção, contudo, os consumidores estão igualmente atentos às questões sociais e ambientais.
Para determinados consumidores, aspetos como a melhoria dos rendimentos dos agricultores, a preservação da agricultura e de certas atividades agrárias, de produtos típicos de cada região bem como, a manutenção da paisagem e defesa do ambiente são fatores determinantes para a escolha de produtos locais. Se os consumidores preferirem cada vez mais aquilo que é produzido localmente, o consumo amenta, logo a produção também aumenta, elevando o nível económico da região e por conseguinte, do próprio país.