Supermercados sem caixas? Sim é possível!

Já imaginou chegar ao supermercado, pôr os produtos no carrinho, não ficar em filas de espera e sair sem ter de passar por uma caixa ou funcionário? Agora isso já é possível!

08 · 10 · 2019

Para muita gente, ir ao supermercado é uma tarefa torturante por um único motivo: a fila da caixa. E se tivesse a possibilidade de entrar, colocar no cesto o que precisa e depois simplesmente sair e ir embora?

Os clientes da Amazon Go, por exemplo, já fazem deste hábito uma prática corrente desde 2017, graças às câmaras de reconhecimento de imagens que são implementadas nas lojas.

Neste supermercado basta pegar nos produtos que quer comprar e sair da loja, sem ter de esperar em filas. Não é necessário passar pela caixa registadora. O pagamento será debitado mais tarde, diretamente da conta do cliente.

Esta prática chegou também este ano a Portugal! Agora basta um smartphone para poder entrar no novo Pingo Doce & Go, fazer as suas compras e pagar. Não há dinheiro vivo, caixas ou filas na nova loja da cadeia do Jerónimo Martins no Campus da Nova SBE, em Carcavelos.

A nova loja parece um minimercado comum. Tem diversos produtos nas prateleiras, arcas com comida pré-preparada e uma zona com vários tipos de fruta. Num dos lados até há uma padaria. A única diferença é que faltam as tradicionais caixas registadoras.

Trata-se de um conceito de loja inovador que chegou agora a Portugal. Quando visita este minimercado, aberto a todo o público, não precisa de moedas ou notas. As compras são pagas através de uma app. Aliás, tem de a instalar no telemóvel se quiser entrar, ou dará de caras com uma cancela fechada. Para a abrir, basta mostrar o código QR da aplicação no leitor, à entrada. Se tudo estiver a funcionar, o canal abre e pode passar. A partir deste momento, já no interior da loja, pode começar a fazer as suas compras.

Ao ver um artigo que lhe interessa, tem duas hipóteses. Pode usar a câmara do telemóvel para ler o código de barras que está no produto ou na etiqueta da prateleira. À medida que vai repetindo o processo, a aplicação vai criando uma espécie de “cesto virtual”, com os produtos que tiver no cesto real.

Quando tiver escolhido tudo, há duas formas de pagar. Se tiver um cartão de pagamentos associado à aplicação da loja — chamada Pingo Doce & Go Nova e disponível para iOS e Android –, basta fazer o check out na app e o valor é debitado da sua conta bancária. Caso não tenha indicado um meio de pagamento na app, pode usar uma das duas torres de pagamento self-service que existem num dos cantos da loja. Basta mostrar à máquina o código QR na aplicação, ou encostar o smartphone caso tenha NFC. Desta forma, o “cesto virtual” é apresentado no ecrã e pode finalizar a compra fazendo o pagamento num terminal Multibanco.

Só depois de feito o check out, com o devido pagamento, é que a aplicação lhe fornece o código QR que permite abrir a cancela para sair.

O Pingo Doce & Go aproxima-se do conceito das lojas físicas Amazon Go, lançado pela gigante norte-americana em alguns mercados no ano passado. No entanto, há uma diferença substancial entre os dois.

Nas lojas da Amazon, os clientes só têm de entrar no espaço, tirar os produtos das prateleiras e sair. O pagamento é processado automaticamente graças a uma complexa e extensa rede de câmaras inteligentes, que acompanham cada passo dado na loja. As câmaras detetam que produtos foram tirados das estantes, que produtos voltaram a ser postos na prateleira e quem o está a fazer. À saída, o débito é feito de forma automática.

No Pingo Doce há também uma rede de mais de 100 câmaras inteligentes mas que não cumprem o mesmo propósito. Atualmente, a rede encontra-se hoje a sugar dados do comportamento dos clientes a cada segundo. O objetivo é “treinar” um algoritmo que, numa outra fase, deverá permitir uma experiência com ainda menos fricção.

As câmaras também servem outra função. Com recurso a inteligência artificial, a empresa é capaz de detetar potenciais situações de furto ou fraude.

Apesar de ser considerada uma loja tecnológica, o Pingo Doce & Go também tem uma vertente humana. A equipa total tem cerca de 20 trabalhadores, que não estão todos escalados em simultâneo. Apenas os suficientes para garantirem que tudo está a correr bem e que não faltam produtos nas prateleiras. Também há pessoal na padaria, para que haja sempre pão quente.

Com todos estes fatores, a Jerónimo Martins pretende passar a mensagem de que esta nova loja é muito diferente do que as tecnologias de self-service da concorrência, como é o caso da aplicação do Continente (Sonae), que permite validar compras com scan dos códigos de barras, e dos validadores do Auchan (ex-Jumbo), que permitem um pagamento mais rápido e eficiente.

Se pretende visitar, o estabelecimento está aberto de segunda a sábado, entre as 7h30 e as 21h00.

Amazon Go: o primeiro supermercado do futuro

A inovação em serviço a cliente é uma das vantagens competitivas do formato, baseado no uso de tecnologia que permite que o consumidor faça as compras através do seu telemóvel, numa experiência de compra que dispensa as interações com staff. Trata-se de “entrar e comprar”, colocando produtos num saco de compras, sem filas e sem caixas de saída, numa nova experiência de ida ao supermercado sem pessoal de apoio na loja. É o auto serviço no seu limite, sem intervenção humana e em que a interação é apenas com equipamento.A Amazon garante que o sistema é seguro.

A loja está equipada com centenas de câmaras de infravermelhos e sensores eletrónicos, que vigiam os movimentos dos clientes e detetam quais os produtos que este selecionam. À entrada do supermercado o cliente passa por uma espécie de torniquete, tal como existe no metro. Mas em vez de um bilhete, terá de passar pela máquina o smartphone, com a aplicação Amazon Go instalada. À medida que o cliente vai recolhendo produtos das prateleiras, estes vão sendo adicionados à sua conta. Quando um produto é devolvido à prateleira, o sistema reconhece e elimina-o da conta.

À saída da loja, é emitida uma fatura eletrónica. Os funcionários da Amazon começaram a testar o sistema em dezembro de 2016. A empresa fundada por Jeff Bezos, que garante ter desenvolvido a tecnologia de raiz, esperava abrir ao público mais cedo, mas levou algum tempo a aperfeiçoar algumas falhas do sistema.

Veja o vídeo e conheça melhor este famoso conceito: